Como registrar seu drone na ANAC: passo a passo completo

Guia completo para cadastrar seu drone no SISANT da ANAC: quem precisa, quais documentos, quanto custa e como identificar o equipamento.

Lucas Buzzo 10 min de leitura
Como registrar seu drone na ANAC: passo a passo completo

Comprou um drone? Antes do primeiro voo, você tem uma tarefa obrigatória: verificar se o seu equipamento precisa ser registrado na ANAC. Se o peso máximo de decolagem for superior a 250 gramas — o que inclui a maioria dos modelos destinados a fotografia, vídeo e aplicações profissionais —, voar sem o cadastro regularizado é infração sujeita a multas que podem superar R$ 30.000.

O processo de registro é gratuito, feito totalmente online e leva menos de 15 minutos na maioria dos casos. O obstáculo para muitos pilotos não é a complexidade do sistema, mas o desconhecimento de que ele existe. Este guia percorre cada etapa do cadastro no SISANT (Sistema de Aeronaves Não Tripuladas) da ANAC, do início até o momento em que você cola o código no drone e está pronto para voar.

Meu drone precisa ser registrado?

O critério é simples e baseia-se no peso máximo de decolagem (PMD) — o peso total do drone incluindo bateria, câmera e qualquer acessório instalado no momento do voo.

Drones com PMD de até 250g: isentos de cadastro obrigatório. Nessa faixa estão modelos como o DJI Mini 2 SE (249g) e similares que os fabricantes desenvolveram especificamente para ficar abaixo desse limite regulatório. Isenção de cadastro não significa isenção das demais regras: altitude máxima, zonas proibidas e distâncias de segurança se aplicam normalmente.

Drones com PMD acima de 250g: cadastro obrigatório no SISANT antes do primeiro voo. Essa categoria engloba a esmagadora maioria dos drones voltados a fotografia semiprofissional e profissional — DJI Air 3, DJI Mavic 3, DJI Phantom 4, modelos FPV, drones para inspeção e toda a linha de drones agrícolas.

Se você não tem certeza sobre o peso do seu modelo, consulte a especificação técnica do fabricante na caixa do produto ou no site oficial. Use sempre o peso com bateria, não o peso do corpo nu.

Importante: um drone comprado fora do Brasil, trazido como bagagem ou importado por qualquer meio, segue a mesma regra. O critério é o peso do equipamento, não a origem da compra.

O que é o SISANT

O SISANT — Sistema de Aeronaves Não Tripuladas — é a plataforma online da ANAC criada especificamente para o cadastro de drones e operadores no Brasil. Foi desenvolvido para centralizar o registro de aeronaves remotamente pilotadas e está integrado ao ecossistema de serviços digitais do governo federal, o que significa que funciona com a mesma conta do gov.br usada para outros serviços públicos online.

O sistema registra tanto o drone (identificado como aeronave) quanto o piloto (identificado como operador). Para uso recreativo, o cadastro do operador é opcional mas recomendado. Para operações comerciais, o registro deve refletir com precisão quem é o responsável pela operação — pessoa física ou jurídica.

O Brasil tem hoje mais de 125.000 drones cadastrados no SISANT, segundo dados da própria ANAC — um número que reflete tanto o crescimento do mercado quanto a progressiva conscientização dos pilotos sobre a obrigatoriedade do registro. Para entender o contexto regulatório completo em que o SISANT se insere, consulte o guia sobre a regulamentação completa de drones no Brasil.

Passo a passo: como fazer o cadastro no SISANT

1. Criar conta no gov.br (se ainda não tiver)

O SISANT usa o sistema de autenticação do gov.br como porta de entrada. Se você já usa outros serviços digitais do governo federal — Imposto de Renda, FGTS Digital, Carteira de Trabalho Digital — já tem uma conta e pode pular esta etapa.

Caso ainda não tenha, acesse gov.br e clique em "Criar sua conta". Você vai precisar de CPF e número de celular para o processo de verificação. O nível de acesso necessário para o SISANT é "Prata" ou superior, o que pode exigir validação facial pelo aplicativo do governo ou verificação via internet banking de alguns bancos credenciados.

Guarde seu login e senha. Você vai precisar deles a cada acesso ao SISANT.

2. Acessar o SISANT

Com a conta gov.br ativa, acesse sistemas.anac.gov.br/sisant e clique em "Entrar com gov.br". Você será redirecionado para a tela de autenticação e, após confirmar sua identidade, retornará ao SISANT já logado.

Na tela inicial, você verá as opções para cadastrar aeronaves e gerenciar seu perfil de operador.

3. Preencher os dados do drone

Clique em "Cadastrar Aeronave" e preencha os dados solicitados:

  • Fabricante: o fabricante do drone (DJI, Parrot, Autel, Xmobots, etc.)
  • Modelo: o modelo exato conforme consta na documentação do produto
  • Número de série: geralmente encontrado na caixa, na etiqueta colada no corpo do drone, ou nas configurações do aplicativo de controle
  • Peso máximo de decolagem: conforme especificação técnica do fabricante
  • Finalidade de uso: recreativo ou comercial — isso afeta os requisitos adicionais que serão solicitados
  • Cor predominante: para facilitar identificação visual

Verifique todos os dados antes de avançar. O número de série é especialmente importante porque é o identificador único que vincula o código de cadastro ao seu equipamento específico.

4. Gerar e receber o código de cadastro

Após confirmar os dados, o SISANT gera automaticamente um código de cadastro — uma sequência alfanumérica única vinculada ao seu drone. Em condições normais, o código é gerado imediatamente, sem necessidade de análise manual pela ANAC.

O código ficará disponível na sua área de usuário no SISANT e também será enviado para o e-mail cadastrado na conta gov.br. Salve esse código em local seguro — você vai precisar dele para a etapa seguinte e para qualquer consulta futura sobre o registro do seu drone.

5. Identificar o drone com o código

O código de cadastro deve estar afixado de forma visível no drone durante todos os voos. Essa é uma exigência explícita da regulamentação: não basta ter feito o cadastro — o drone precisa exibir o código.

Como afixar o código no drone

A forma mais comum e prática é imprimir o código em uma etiqueta adesiva resistente e colá-la no corpo do drone em local visível. Use materiais que suportem a exposição ao sol e ao vento — etiquetas de poliéster ou vinil duram muito mais do que papel comum.

Algumas considerações práticas:

Legibilidade: o código deve ser legível a olho nu por um agente de fiscalização. Use fonte com tamanho adequado — muito pequeno, e pode ser considerado não conforme.

Localização: prefira superfícies planas e protegidas de impacto, que ficam visíveis quando o drone está em repouso. A base do corpo, longe dos rotores, é geralmente a melhor opção.

Durabilidade: o código deve permanecer legível durante toda a vida útil do drone. Verifique periodicamente se a etiqueta ainda está em bom estado, especialmente após operações em ambientes adversos.

Para drones mais robustos usados em operações profissionais — como os voltados ao uso profissional no agronegócio —, considere gravar o código com laser ou usar etiquetas industriais de maior durabilidade.

Drone de recreação vs. drone profissional: há diferença no cadastro?

No SISANT em si, o processo de cadastro é o mesmo. A diferença está nos requisitos adicionais que cada tipo de operação exige fora do sistema.

Para uso recreativo, o cadastro no SISANT é o requisito principal. O piloto precisa respeitar as regras de espaço aéreo e as zonas proibidas, mas não há exigência de seguro ou registro de empresa.

Para uso comercial — qualquer operação na qual o drone é usado para gerar renda, direta ou indiretamente —, o cadastro no SISANT é apenas o ponto de partida. Adicionalmente, são exigidos:

  • Seguro RETA (Responsabilidade Civil a Terceiros): obrigatório para drones com PMD acima de 250g. Cobre danos causados a terceiros durante a operação.
  • Cadastro da empresa operadora: quando a operação é realizada por pessoa jurídica, a empresa precisa estar identificada como operadora no sistema.

Não existe exigência legal de curso ou habilitação formal para nenhuma das categorias — recreativa ou profissional. A regulamentação brasileira, diferente da europeia e da norte-americana, não prevê atualmente nenhum exame ou certificação obrigatória para pilotos de drone.

O que acontece se eu não cadastrar?

Operar um drone com PMD acima de 250g sem o código de cadastro do SISANT é infração à regulamentação da ANAC, com consequências que vão além de um simples aviso.

As sanções previstas incluem multas que podem superar R$ 30.000 por ocorrência, dependendo das circunstâncias e do histórico do operador. A apreensão do drone é outra sanção frequentemente aplicada junto à multa.

Além do aspecto administrativo, há implicações práticas importantes. Se o drone não cadastrado causar um acidente — colisão com pessoa, veículo ou aeronave —, o operador responde pela indenização sem o benefício do seguro (que, para operações fora da regularidade, normalmente não cobre o sinistro). Em situações de maior gravidade, como colisão com aeronaves tripuladas, a responsabilidade criminal pode ser acionada.

O risco é real. A ANAC e o DECEA têm ampliado a fiscalização, e denúncias de operações irregulares são investigadas com mais frequência do que há alguns anos.

Perguntas frequentes


Fontes: ANAC — Cadastro de Drones (SISANT) | SISANT — Sistema de Aeronaves Não Tripuladas | DECEA — Drone

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