Drone agrícola: 100 ha por dia no Vale do São Francisco

Produtores do Vale do São Francisco usam DJI Agras T40 e T50 para pulverizar 100 hectares por dia — contra 8 com trator. Veja os números e o que muda para o piloto.

Lucas Buzzo 5 min de leitura
Drone agrícola: 100 ha por dia no Vale do São Francisco

Um produtor de uvas e manga no Vale do São Francisco pulveriza 100 hectares por dia usando dois drones agrícolas da DJI — o mesmo trabalho levaria mais de uma semana com trator. A mudança na fazenda de Vilmar Capellaro, em Petrolina (PE), ilustra a transformação que avança no maior polo de fruticultura irrigada do Brasil.

Capellaro adquiriu um DJI Agras T40 e um DJI Agras T50 em 2023 pela empresa local GM Drone e Tecnologia, fundada pelo fruticultor Arthur Grimaldi para atender produtores da região. O custo operacional de pulverização caiu até 25% e o tempo por hectare passou de mais de 60 minutos (trator) para cerca de 6 minutos com drone.


O Vale do São Francisco e sua importância

O Vale do São Francisco, concentrado nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), é o maior polo de fruticultura irrigada do Brasil. A região responde por 90% das mangas exportadas e 98% das uvas de mesa exportadas pelo país. Em 2024, o valor bruto de produção atingiu R$ 8,15 bilhões — alta de 43% sobre o ano anterior.

A região também produz 7 milhões de litros de vinho por ano, tornando-a o segundo maior polo vitivinícola brasileiro. Com 125.000 hectares cultivados e 240.000 empregos diretos, qualquer ganho de eficiência se multiplica: uma redução de 25% no custo de pulverização representa dezenas de milhões de reais em toda a cadeia produtiva.


Como o drone trabalha na prática

Os modelos DJI Agras T40 e T50 são drones agrícolas de grande porte — com tanques de 40 e 50 litros, respectivamente — projetados para pulverização, monitoramento e mapeamento por GPS. Na fazenda de Capellaro, cada aparelho cobre um hectare em aproximadamente 6 minutos voando em rotas autônomas programadas.

A comparação com o trator é direta:

MétodoTempo por hectareCapacidade diária
Trator>60 minutos~8 hectares
DJI Agras T40/T50~6 minutos~100 hectares

Além da velocidade, os bicos eletrostáticos atomizam as gotas, melhorando a cobertura foliar e reduzindo o desperdício de defensivos. Câmeras multiespectrais e termais permitem mapear focos de praga ou estresse hídrico antes de qualquer aplicação.

O custo do serviço de pulverização por drone no Brasil varia entre R$ 80 e R$ 200 por hectare, dependendo da cultura, região e complexidade — abaixo do custo equivalente com aviação agrícola tripulada.


Mercado em expansão: 9.900% em sete anos

A fazenda de Capellaro não é caso isolado. O Brasil tinha 350 drones agrícolas em operação em 2018. Em 2025, esse número chegou a 35.000 unidades — crescimento de 9.900% em sete anos. O país lidera o mercado sul-americano e o setor projeta 50.000 unidades em operação até o fim de 2026, com valor de mercado estimado em R$ 96 bilhões até 2028.

A GM Drone e Tecnologia já formou 8 turmas de pilotos agrícolas desde 2023, com 100% de empregabilidade — no Vale do São Francisco ou em outras regiões do país. O curso de aplicador aéreo remoto (CAAR) exige mínimo de 28 horas de treinamento presencial ou híbrido, com custo em torno de R$ 2.997.

Para entender o mercado completo — modelos, preços e como entrar no segmento —, veja o guia sobre drone agrícola no Brasil.


O que muda para o piloto brasileiro

A Resolução ANAC nº 710/2023 simplificou as regras para drones agrícolas: aparelhos que dispersam fertilizantes ou defensivos são classificados como Classe 3 independentemente do peso, desde que voem em VLOS/EVLOS, abaixo de 400 pés e sobre áreas com autorização do proprietário. Isso eliminou a exigência de gestão de aeronavegabilidade que antes freava o mercado.

O registro no SISANT continua obrigatório para qualquer drone acima de 250 g. Para quem quer atuar profissionalmente com pulverização, o MAPA (Ministério da Agricultura) está em fase final de elaboração do novo Decreto de Aviação Agrícola, que vai definir as regras de habilitação e registro de operadores em substituição à Portaria nº 298/2021.

A combinação de regulação simplificada, mercado em expansão e cultura de alto valor cria uma janela concreta de oportunidade. Para um panorama completo do setor, veja O agronegócio brasileiro descobriu os drones.

Perguntas frequentes


Fontes: Divulga Petrolina (18/03/2026) | ANAC — Uso de drones na agricultura tem regras simplificadas | CPG Click — Drones agrícolas crescem 9.900% no Brasil entre 2018 e 2025 | ABRAFRUTAS — Vale do São Francisco em destaque

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