Pesquisa da FAA: DJI domina 96% dos drones nos EUA
Nova pesquisa da FAA confirma que a DJI representa 96% dos drones detectados nos EUA — mesmo meses após ser banida pela FCC. Entenda o que isso muda.

Um relatório publicado em 3 de março de 2026 pelo programa de pesquisa ASSURE da FAA (Federal Aviation Administration, a agência de aviação civil dos EUA) confirmou que drones fabricados pela DJI representam mais de 96% de todas as aeronaves detectadas no espaço aéreo americano — com dados coletados até novembro de 2025, menos de um mês antes de a FCC (Comissão Federal de Comunicações) banir a empresa chinesa no país.
O ASSURE A83 2025 Annual Report é o retrato mais abrangente das operações reais de drones nos EUA já produzido com dados de Remote ID. E os números tornam ainda mais controversa a decisão da FCC de incluir a DJI em sua lista de empresas consideradas ameaças à segurança nacional: o país banhou o único fornecedor que, na prática, sustenta o mercado.
Contexto: o banimento da FCC em dezembro de 2025
Em 22 de dezembro de 2025, a FCC adicionou drones fabricados por empresas estrangeiras à sua Covered List — a lista de fornecedores proibidos por questões de segurança nacional. A decisão, conhecida informalmente como o banimento da DJI, não proibiu o uso de equipamentos já adquiridos, mas bloqueou novas aprovações de venda e impediu que futuros modelos obtivessem as homologações necessárias para operar nas frequências de rádio americanas.
A justificativa oficial foi o risco de espionagem e transmissão de dados a governos estrangeiros — acusação que a DJI nega desde 2017, quando foi incluída pela primeira vez em listas de vigilância do Departamento de Defesa americano. A empresa tem sede em Shenzhen, China.
O banimento surgiu após anos de pressão do setor doméstico de drones, especialmente da Skydio, única fabricante americana com escala para competir no segmento de consumo. O problema é que "competir" é um eufemismo: o relatório ASSURE mostra que a Skydio detém pouco mais de 1% das operações detectadas nos EUA.
Os números do ASSURE A83
O relatório foi produzido por pesquisadores das universidades Embry-Riddle Aeronautical University, Kansas State University, NIAR e Wichita State University para o Centro de Excelência da FAA. Os dados foram coletados via Remote ID — o sistema de identificação em tempo real obrigatório nos EUA desde 2023 — em 64 pontos de monitoramento distribuídos pelo país.
A distribuição de mercado por fabricante, em percentual de plataformas detectadas:
| Fabricante | Participação |
|---|---|
| DJI | 96,3% |
| Skydio | ~1% |
| Demais fabricantes | <2,4% |
Entre os modelos DJI mais presentes:
| Modelo | Participação |
|---|---|
| DJI Mini 4 Pro | 19% |
| DJI Air 3 | 13% |
| DJI Mavic 3 Pro | 8% |
| DJI Air 2S | 7% |
| DJI Air 3S | 7% |
O relatório também traça o perfil típico de um voo nos EUA: 92,6% das operações ficam a menos de 0,9 km do operador; 49,3% registram telemetria estática (drone parado ou em hover); apenas 5,3% ultrapassam 150 metros de altitude. São dados que descrevem um uso predominantemente recreativo e profissional de proximidade — exatamente o mercado onde a DJI é rainha.
Sem alternativas em escala
O dado de 96% expõe um problema estrutural que o banimento não resolve: não existe, até o momento, nenhum fabricante capaz de substituir a DJI em volume e custo-benefício no curto prazo.
As principais alternativas americanas — Skydio, Freefly Systems e Impossible Aerospace — têm preços consideravelmente mais altos e linhas voltadas principalmente para uso militar e governamental, não para o piloto civil. A Autel Robotics, fabricante americana com produção parcialmente nos EUA, tem ganhado espaço no segmento de consumo, mas seu market share, como o de todos os concorrentes somados, representa menos de 2,4% das operações.
A DJI construiu sua posição dominante ao longo de mais de 15 anos com investimento massivo em pesquisa, desenvolvimento de hardware próprio e integração vertical — desde os motores e controladores de voo até os aplicativos de pilotagem. O DJI Mini 4 Pro, que lidera as detecções nos EUA com 19% de market share, custa a partir de R$ 2.500 no Brasil. Não há concorrente direto no mesmo patamar de preço e funcionalidade disponível em larga escala.
O relatório não cobre drones sem Remote ID — quadricópteros caseiros (builds customizados), a maioria dos FPV e aeronaves abaixo de 250g que dispensam registro. Os números reais de voos DJI no espaço aéreo americano são provavelmente ainda maiores do que os 96% detectados.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem pilota drone no Brasil, o banimento americano não tem efeito imediato. A ANAC, o DECEA e a Anatel não fizeram restrições equivalentes, e a DJI continua sendo vendida, homologada e operada normalmente no país. Os melhores drones para iniciantes disponíveis no mercado brasileiro continuam sendo, em sua esmagadora maioria, produtos DJI.
O que o relatório ASSURE muda é a perspectiva de médio e longo prazo. Os dados confirmam que o banimento americano não cria concorrência — cria um vácuo. Isso acelera o debate sobre o que acontece quando países aliados dos EUA adotarem posições similares: o Reino Unido, a Austrália e membros da OTAN já estão sob pressão crescente para restringir tecnologia de origem chinesa em setores sensíveis, incluindo drones usados por forças policiais e militares.
Se esse cenário avançar, os reflexos podem chegar ao Brasil via acordos de segurança ou pressão sobre cadeias de fornecimento globais. Por ora, não há nenhuma sinalização nessa direção por parte da ANAC ou do Ministério da Defesa.
O que vale monitorar: qualquer movimentação regulatória brasileira sobre restrições a fabricantes estrangeiros de drones e, no lado técnico, o avanço de concorrentes como Autel e Skydio no desenvolvimento de produtos com relação custo-benefício comparável à DJI para o mercado civil.
Perguntas frequentes
Fontes: DroneXL | Unmanned Airspace | Dronelife — FCC ban
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