História dos Drones: do início aos dias de hoje.

A história completa dos drones: quem inventou, como a DJI dominou o mercado, os usos atuais e como a regulamentação evoluiu no Brasil.

Lucas Buzzo 11 min de leitura
História dos Drones: do início aos dias de hoje.

História dos Drones

A história dos drones lembra muito o surgimento da Internet.

Podemos imaginar o mundo antes da internet, as grandes navegações, a forma como eram enviadas as cartas cartográficas e os mapas.

Sabemos que assim que começou a globalização, as distâncias encurtaram-se e uma revolução começou.

Assim como a popularização dos drones revolucionou o mundo que conhecemos.

História dos Drones

Inicialmente ambos possuíam funções militares, e com o tempo tornaram-se acessíveis e ganharam mais adeptos.

Não apenas tornaram-se populares e passaram a fazer parte do dia-a-dia da população do mundo todo, como também causaram uma revolução.

Os VANTs (veículos aéreos não tripulados) eram usados para reconhecimento de terrenos, permitindo uma visão aérea. Já serviram como apoio, e meio, de ataques e espionagem; até para enviar mensagens.

Drone pronto para atacar

Surgiram por volta dos anos 60, mas foi durante os anos 80 que começaram a chamar atenção, por conta de seus usos militares.

A grande vantagem em seu uso durante os anos 80 era a possibilidade de efetuar ações perigosas sem necessariamente colocar uma vida em risco. Quem estivesse controlando estaria distante do drone, e o pior que poderia acontecer era o abatimento do objeto no ar.

O que pouca gente sabe sobre a história dos drones é que ela tem por inspiração uma BOMBA.

A popularmente conhecida buzz bomb, assim chamada por conta do barulho que fazia enquanto voava, foi desenvolvida pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.

Apesar de sua simplicidade — o que a tornava alvo fácil em abates e interceptações, por voar apenas em linha reta e com velocidade constante — obteve um sucesso considerável.

Embora não haja um número exato de feridos e mortos pelas bombas, pode-se concluir que é um valor grande, uma vez que foram lançadas mais de 1.000 bombas V-1.

A V-1 não foi a única bomba do gênero criada. Alguns anos mais tarde, ainda no decorrer da Segunda Grande Guerra, foi criada a V-2. Mas a grande revolução foi no primeiro momento em que uma bomba com aquelas características surgiu: a V-1, que inspirou a história dos drones e toda a sua evolução desde então.

Quem inventou o drone?

O drone moderno, como conhecemos hoje, tem em Abe Karem um de seus principais inventores — engenheiro israelita responsável pelo drone americano mais temido e bem-sucedido de sua época.

"Eu só queria que os veículos aéreos não tripulados operassem com os mesmos padrões de segurança, confiabilidade e desempenho que aviões tripulados." (Abe Karem)

Abe Karem, inventor dos drones

Segundo Karem, quando chegou nos Estados Unidos em 1977, para controlar um drone eram necessárias 30 pessoas. O modelo da época, o Aquila, voava em média apenas alguns minutos, mesmo tendo autonomia para 20 horas de voo.

Vendo essa situação, Karem fundou a Leading Systems e, utilizando materiais simples — restos de madeira, fibra de vidro artesanal e um motor similar aos dos karts da época — deu origem ao Albatross.

O Albatross chegou a ficar 56 horas no ar, sem recarga de baterias, operado por apenas 3 pessoas — contra as 30 do Aquila. Depois dessa demonstração, Karem recebeu financiamento da DARPA para aprimorar o protótipo, e assim surgiu o Amber — precursor direto do famoso Predator, que entraria em serviço nos anos 90.

Definindo o que é um drone

Frequentemente as pessoas escutam o termo pela primeira vez e se perguntam: o que é um drone?

Um drone é um veículo aéreo não tripulado. Diferentemente de aviões e helicópteros, não carrega piloto a bordo — é controlado remotamente e, muitas vezes, equipado com câmeras de alta qualidade.

Foram utilizados por um tempo como brinquedo, uma evolução dos aeromodelos. Hoje há um grande e crescente mercado profissional para os pilotos.

O processo de popularização dos drones é recente — e os dados do Google Trends contam essa história melhor do que qualquer texto.

Pesquisas sobre drones e sua popularização

A imagem acima foi obtida pelo Google Trends: em azul, o volume de pesquisas pelo termo "drones"; em vermelho, as buscas por "VANTs" (veículos aéreos não tripulados). Até 2010, quase nenhuma busca. A partir de 2013, crescimento quase exponencial — exatamente quando um produto específico mudou tudo. Veremos adiante qual foi ele.

Os dados de 2015, quando este artigo foi publicado pela primeira vez, revelavam padrões curiosos sobre o interesse global:

  • O Brasil era o país que mais pesquisava por drones da América Latina
  • Os três primeiros do mundo em volume de buscas eram, em ordem: França, Noruega e Holanda
  • Os Estados Unidos apareciam logo após, com cerca de 7 pontos a menos que o terceiro colocado
  • Nenhum estado do sudeste brasileiro aparecia entre os 10 maiores no país
  • Os três estados brasileiros mais curiosos sobre drones eram: Distrito Federal, Roraima e Tocantins

Esses números mostravam o quanto a popularização, mesmo em pleno crescimento exponencial, ainda tinha muito espaço pela frente — premonição que se confirmou na década seguinte.

Drone controlado pelo Smartphone

A evolução tecnológica permite que hoje quem deseja ser piloto controle seu drone diretamente pelo celular ou tablet. Alguns modelos inclusive podem ser controlados por meio do acelerômetro do smartphone, tornando a experiência ainda mais intuitiva.

Usos dos Drones

Com o desenrolar da história dos drones, eles se espalharam e hoje estão sendo usados em praticamente todas as áreas.

Os primeiros modelos eram utilizados apenas para imagens e vídeos, mas estão cada vez mais resistentes, autônomos e versáteis.

  • Imagens e fotografia aérea: No acidente em Fukushima, no Japão, um T-Hawk foi usado para obter imagens dos reatores danificados sem nenhum risco de contaminação por radiação. Mais comumente, os drones vêm sendo usados em casamentos, eventos esportivos e coberturas jornalísticas. Nos protestos de 2013, a Folha de S.Paulo utilizou um drone para fazer imagens aéreas que se tornaram icônicas.
    T-Hawk e uma foto de Fukushima feita por ele
  • Monitoramento de furacões: Cientistas da Flórida criaram drones resistentes para lançar em direção a furacões, coletando dados de trajetória, velocidade e pressão — informações que permitem evacuar áreas de risco com antecedência.
  • Imagens submersas: O OpenROV permite criar imagens em tempo real do fundo do mar, alcançando pontos inatingíveis por mergulhadores, catalogando novas espécies e desbravando mistérios oceânicos.
  • Uso militar: O primeiro uso dos drones continua até hoje — e evoluiu radicalmente. Na guerra na Ucrânia (2022–presente), os drones deixaram de ser apenas ferramentas de reconhecimento e passaram a ser protagonistas do campo de batalha. Drones FPV comerciais adaptados são usados como munição guiada de precisão, e a Ucrânia chegou a produzir quase 2 milhões de drones em 2024, muitos deles equipados com inteligência artificial para navegação sem GPS e reconhecimento de alvos.
  • Entregas e logística: A Amazon Prime Air realizou suas primeiras entregas comerciais em College Station, Texas, em 2022 — tornando realidade o que em 2015 ainda parecia ficção científica. As entregas ocorrem em produtos de até 2,3 kg e chegam em menos de 60 minutos.
  • Medicina e emergências: Empresas como a Zipline entregam sangue, vacinas e medicamentos a mais de 5.000 centros de saúde na África. Na Ruanda, a tecnologia reduziu em 51% as mortes maternas por hemorragia pós-parto. Saiba mais em nosso artigo sobre drones na medicina.
  • Agronegócio: O campo que mais cresce no Brasil. Em 2021 havia 2.500 drones agrícolas registrados; a projeção é de 90.000 unidades até 2026. Equipamentos como o DJI Agras T50 pulverizam lavouras com precisão centimétrica, reduzindo o uso de defensivos em até 30%. Leia mais sobre drones no agronegócio brasileiro.
  • Esportes e transmissões: Nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, 15 drones FPV com menos de 243g e velocidade de até 140 km/h entraram nas pistas ao lado dos atletas, entregando imagens que nenhuma câmera fixa conseguiria.
  • Resgate e emergência: Em 2015, o Gimball — drone envolto por uma gaiola protetora inspirada em insetos — venceu a competição internacional Drones for Good. Equipado com sensor de temperatura, GPS, câmeras e alta resistência a impactos, foi criado para navegar em ambientes hostis como escombros e incêndios, auxiliando em operações de busca e salvamento sem colocar vidas humanas em risco.

Com a popularização, os drones também passaram a virar notícia por razões inusitadas. Em 2014, uma pizzaria paulistana fez delivery com drone e foi parar na mira da ANAC. Um VANT interrompeu uma partida de futebol. Outro sobrevoou uma praia nudista e causou alvoroço. A Samsung anunciou projetos no setor. E a Folha de S.Paulo usou um drone durante os protestos de 2013 para registrar imagens aéreas que se tornaram históricas — antes mesmo de qualquer regulamentação específica existir no país. Eram os primeiros sinais de que os drones haviam chegado ao cotidiano para ficar.

A era DJI: quando o drone virou produto de massa

Em 2013, uma empresa chinesa chamada DJI lançou o Phantom — e o mercado de drones nunca mais foi o mesmo.

Frank Wang, fundador da DJI, criou o primeiro drone "plug and fly" para consumidores: bastava carregar a bateria, conectar a câmera GoPro e voar. Sem montagem, sem calibração técnica, sem curso de engenharia eletrônica. Qualquer pessoa conseguia operar.

Em 2016, veio o Mavic Pro — o primeiro drone dobrável e verdadeiramente portátil da empresa, do tamanho de uma garrafa d'água e com câmera 4K estabilizada por gimbal de 3 eixos.

Hoje a DJI controla mais de 70% do mercado global de drones comerciais e mais de 90% do mercado de consumo. É o padrão de facto da indústria. Conheça a história completa da DJI.

Voar tem regras: a regulamentação dos drones no Brasil

A popularização trouxe também a necessidade de regular. No Brasil, a ANAC e o DECEA são os órgãos responsáveis pelas regras de operação.

Os pontos mais importantes para qualquer piloto conhecer:

  • Drones acima de 250g precisam ser cadastrados no sistema SISANT da ANAC (gratuito)
  • A altitude máxima permitida é de 120 metros, salvo autorização especial
  • É proibido voar a menos de 30 metros de pessoas não envolvidas na operação
  • Nas proximidades de aeroportos, existem zonas de exclusão de até 9 km
  • Multas por descumprimento podem superar R$ 30.000

Em 2026, o novo RBAC 100 entrou em vigor, modernizando as regras alinhadas com os padrões internacionais da OACI. Leia o guia completo sobre regulamentação de drones no Brasil e saiba exatamente como registrar seu drone na ANAC.

A história dos drones não acabou

Ela está ocorrendo agora, neste exato momento.

Os drones deixaram de ser curiosidade tecnológica para se tornar infraestrutura. Estão nas lavouras do Mato Grosso, nos hospitais de Ruanda, nas pistas de luge dos Alpes italianos e no campo de batalha na Ucrânia. A próxima fronteira são os táxis aéreos elétricos (eVTOL) que prometem transformar a mobilidade urbana — e a Embraer está entre as protagonistas desse movimento.

Como muitos pesquisadores defendem: a história não é estática. Ela é construída a cada dia, e com os drones não é diferente.

Achou interessante a história dos drones? Você pode fazer parte desta revolução — basta seguir o nosso guia passo a passo para comprar um drone.

Perguntas frequentes

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