Brasil supera 133 mil drones registrados na ANAC em 2026
O Anuário ABDRONE 2026 revela que o Brasil já tem 133 mil drones cadastrados na ANAC, com crescimento acima de 20% ao ano. Entenda o que os dados significam.

O Brasil registrou 133 mil aeronaves não tripuladas no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (SISANT), da ANAC, até fevereiro de 2026 — número divulgado esta semana pelo Anuário ABDRONE 2026. O dado consolida o país como o segundo maior mercado de drones das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, com faturamento setorial superior a R$ 2,1 bilhões.
Em 2017, quando entrou em vigor o regulamento que tornou o cadastro obrigatório para operações civis, o Brasil tinha apenas 16,5 mil drones registrados. Em menos de uma década, o total cresceu mais de 700%.
Contexto: nove anos de regulamentação e expansão contínua
O SISANT é o sistema de cadastro de drones mantido pela ANAC. Desde a implementação do RBAC-E 94, toda aeronave não tripulada com mais de 250g destinada à operação no espaço aéreo brasileiro — recreativa ou profissional — precisa ser cadastrada para que o operador possa voar legalmente. A regulamentação de drones no Brasil também estabelece categorias de operação, limites de altitude e zonas proibidas.
O Anuário ABDRONE é o relatório anual da Associação Brasileira do Setor de Drones e reúne dados de registros, importações, autorizações de voo e composição do mercado. A edição de 2026, publicada esta semana, consolidou dados até fevereiro de 2026.
O mercado de drones no Brasil em números
A trajetória de crescimento é consistente e acelerada:
| Ano | Drones registrados |
|---|---|
| 2017 | 16.500 |
| 2022 | 93.729 |
| Fev./2026 | 133.000 |
Entre 2024 e 2025, os registros avançaram mais de 20% ao ano. No mesmo período, os pedidos de autorização de voo feitos via SARPAS — sistema do DECEA — cresceram mais de 25%, indicando que os cadastros se traduzem em operações reais no campo, não apenas em registros formais.
As importações reforçam o quadro. Em 2024, o Brasil importou 24,1% mais drones em valor e mais de 115% mais em unidades em relação ao ano anterior — sinal de queda de preços e popularização dos modelos de entrada. O setor movimentou US$ 373 milhões (mais de R$ 2,1 bilhões) no país.
Quem está voando
A composição do mercado em 2022 — dado mais recente com abertura detalhada — mostrava 52.906 drones para uso recreativo contra 40.823 para atividades profissionais, representando 44% do total. O anuário indica que a participação profissional aumentou nos ciclos seguintes.
Os principais setores de aplicação profissional:
- Agronegócio: pulverização, monitoramento de lavouras e pecuária — setor que registrou o crescimento mais acelerado dos últimos dois anos, como detalhamos em O agronegócio brasileiro descobriu os drones
- Inspeções industriais: linhas de transmissão elétrica, dutos de óleo e gás, estruturas de telecomunicações e obras civis
- Mapeamento e georreferenciamento: topografia, infraestrutura e monitoramento ambiental
- Segurança pública: monitoramento de fronteiras, eventos de grande porte e operações de busca e resgate
- Produção audiovisual: publicidade, cinema e jornalismo
O que muda para o piloto brasileiro
Mais concorrência no mercado profissional. Com dezenas de milhares de drones cadastrados para uso comercial, quem quer ganhar dinheiro com drones no Brasil precisa de diferencial: certificação técnica, especialização por setor ou equipamento mais avançado.
Registro obrigatório e fiscalização em expansão. O crescimento do setor atrai atenção regulatória. A ANAC está em processo de revisão do marco regulatório, com consulta pública prevista para este ano. Quem ainda não registrou o drone na ANAC deve fazer isso agora: o cadastro no SISANT é gratuito e leva menos de 15 minutos.
Mais drones no ar, mais disputa por espaço aéreo. Com 133 mil aeronaves cadastradas e pedidos de autorização crescendo 25% ao ano, a concorrência por janelas de voo em áreas urbanas e rurais vai aumentar. Planejar com antecedência via SARPAS é cada vez mais essencial.
Equipamentos mais baratos. O salto de 115% nas unidades importadas em 2024 sinaliza queda no preço médio por equipamento — tendência que deve continuar em 2026 e ampliar o acesso para novos pilotos.
Perguntas frequentes
Fontes: Aeroflap | Brasil Inovador | ANAC — Drones
Artigos relacionados
Marinha e Taurus vão desenvolver drones armados no Brasil
Marinha do Brasil e Taurus fecharam protocolo, com apoio do BNDES, para estudar drones armados. Entenda o que isso significa para a indústria nacional.
Wing e Walmart expandem entrega por drone para 150 lojas nos EUA — 40 milhões de americanos serão atendidos
Em janeiro de 2026, Wing e Walmart anunciaram a expansão de entrega por drone para 150 novas lojas nos EUA, com cobertura de 40 milhões de pessoas. Entenda o que mudou e por que isso importa.
Copa do Mundo 2026 vai ter caçadores de drones protegendo os estádios
O Departamento de Segurança Interna dos EUA contratou a Fortem Technologies para proteger as 11 sedes americanas da Copa do Mundo 2026 com o sistema DroneHunter, que captura drones em pleno voo usando redes.


