OSIRIS UEB-1: drone interceptador ucraniano a 315 km/h

Startup ucraniana OSIRIS AI apresenta o UEB-1, drone interceptador com IA que atinge 315 km/h. Entenda o que muda na guerra contra drones.

Lucas Buzzo 4 min de leitura
OSIRIS UEB-1: drone interceptador ucraniano a 315 km/h

A startup ucraniana OSIRIS AI apresentou o UEB-1, um drone interceptador capaz de atingir 315 km/h e projetado para derrubar outros VANTs em pleno voo usando inteligência artificial. O lançamento aconteceu na feira Xponential Europe 2026, realizada entre 24 e 26 de março em Dusseldorf, na Alemanha.

Com 3,1 kg de peso total e uma ogiva de 0,5 kg, o UEB-1 é significativamente menor e mais barato que os sistemas de defesa antiaérea convencionais. A proposta é oferecer uma resposta tática rápida contra drones hostis, um problema crescente em conflitos modernos e também em cenários de segurança civil.


Como funciona o drone interceptador UEB-1

O OSIRIS UEB-1 não é um drone FPV convencional adaptado para combate. Segundo a OSIRIS AI, trata-se de uma plataforma projetada desde o início para interceptação aérea, com aceleração rápida e controle estável sob cargas de alta propulsão.

O diferencial está na inteligência artificial embarcada: o software de bordo calcula a trajetória projetada do alvo e ajusta autonomamente o curso do interceptador para viabilizar o impacto direto. Isso reduz drasticamente a dependência do operador, que precisa apenas designar o alvo. O processamento de dados acontece inteiramente a bordo, sem depender de conexão externa.

A câmera transmite vídeo em tempo real via sinal analógico na frequência de 5,8 GHz, com opção de câmera para baixa luminosidade. O campo de visão diurno é o padrão, mas a versão noturna amplia a janela operacional.


Especificações técnicas

EspecificaçãoValor
Velocidade máxima315 km/h
Autonomia de voo+10 minutos
Alcance operacionalaté 18 km (linha de visada)
Peso total3,1 kg
Ogiva0,5 kg
Dimensões370 x 370 x 550 mm
MaterialFibra de carbono
VídeoAnalógico 5,8 GHz, tempo real
CâmeraDiurna (opção low-light)

Quem é a OSIRIS AI

A OSIRIS AI é uma startup ucraniana de tecnologia de defesa com centro de P&D em Cracóvia, na Polônia, e instalações de produção divididas entre Ucrânia e Polônia. O CEO é Roman Onishchenko.

Antes do UEB-1, a empresa desenvolveu o OSIRIS DroneOS, um sistema operacional modular para drones que permite operação autônoma com processamento de dados em tempo real. A plataforma funciona como uma base de software que conecta diferentes hardwares, módulos de IA e serviços em nuvem.

Em novembro de 2025, a OSIRIS AI recebeu investimento de um fundo norte-americano para acelerar o desenvolvimento do DroneOS. O UEB-1 é o primeiro produto de hardware da empresa, segundo informações do Militarnyi.


Drones caçadores de drones: uma tendência global

O UEB-1 não está sozinho nessa categoria. A guerra na Ucrânia acelerou o desenvolvimento de drones interceptadores como resposta tática aos VANTs de ataque, especialmente os drones Shahed iranianos usados pela Rússia.

Outros projetos ucranianos incluem o STRILA (apoiado pela Quantum Systems) e o simulador Obriy Antishahid da Twist Robotics. Nos Estados Unidos, o programa Drone Dominance encomendou 30.000 drones-kamikaze para responder à mesma ameaça.

A lógica é econômica: usar um míssil de centenas de milhares de dólares para derrubar um drone de US$ 20.000 não é sustentável. Um interceptador como o UEB-1, leve e autônomo, oferece uma alternativa assimétrica com custo operacional drasticamente menor.


O que muda para o piloto brasileiro

Para quem pilota drones no Brasil, o UEB-1 não é um produto acessível nem voltado ao mercado civil. Mas ele sinaliza três tendências que já afetam o cenário brasileiro:

Defesa antiaérea com drones. O Exército Brasileiro solicitou R$ 456 bilhões para defesa antiaérea, incluindo sistemas contra VANTs. A Copa do Mundo 2026 terá sistemas anti-drone nos estádios. Interceptadores como o UEB-1 podem integrar essas soluções no futuro.

IA embarcada em drones. O processamento autônomo de alvos a bordo, sem depender de link de dados externo, é uma evolução que eventualmente chega aos drones civis. Desvio de obstáculos mais inteligente, rastreamento de objetos e operações BVLOS são aplicações diretas dessa tecnologia.

Regulamentação mais rígida. À medida que drones se tornam armas mais sofisticadas, a pressão por regulamentação e identificação remota aumenta. No Brasil, o cadastro no SISANT já é obrigatório, e a tendência é que rastreamento em tempo real se torne padrão.

Perguntas frequentes


Fontes: United24 Media | Militarnyi | dev.ua

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