1.200 drones no céu de Copacabana: o show do Réveillon que entrou para a história
Na virada para 2026, 1.200 drones formaram rostos humanos e escreveram frases no céu de Copacabana durante o maior Réveillon do mundo, com 5,1 milhões de pessoas nas ruas.

No Réveillon de Copacabana, o script é sempre o mesmo: a multidão, os fogos sobre o mar, o branco das roupas se perdendo na areia que vai até o horizonte. É um dos espetáculos mais repetidos e mais amados do mundo — e ainda assim, na virada para 2026, algo diferente aconteceu no céu sobre a praia.
Às 23h30 do dia 31 de dezembro de 2025, durante o set do DJ Alok no palco principal de Copacabana, 1.200 drones subiram ao mesmo tempo. Formaram rostos. Escreveram frases. Redesenharam o céu de uma cidade que já viu de tudo.
Foi o maior show de drones já realizado em um evento de grande porte na América Latina. E para quem estava lá — mais de 2,6 milhões de pessoas só em Copacabana, parte dos 5,1 milhões espalhados pelos 13 palcos da cidade — foi uma daquelas imagens que ficam.
Como funciona um show de drones
Para quem acompanha o mundo dos VANTs (veículos aéreos não tripulados), a ideia de coordenar 1.200 unidades no ar é fascinante do ponto de vista técnico. E mais complexa do que parece.
Cada drone é programado individualmente com uma trajetória tridimensional específica. O que o espectador vê como uma imagem coesa no céu é, na prática, uma coreografia milimétrica de centenas de pontos de luz em movimento simultâneo. A posição de cada drone em cada fração de segundo é calculada previamente por software, que cria o equivalente aéreo de uma animação quadro a quadro.
O sinal para o início da coreografia é sincronizado via rádio, e a partir daí os drones executam suas rotas de forma autônoma. Não há piloto controlando cada unidade individualmente — há um sistema central que orquestra tudo. Meteorologia, vento e condições de visibilidade são avaliados nas horas que antecedem o show, já que qualquer alteração significativa pode comprometer a precisão das formações.
No caso do Réveillon de Copacabana, o desafio logístico era ainda maior: o show precisava conviver com a queima de fogos — realizada por 19 barcaças distribuídas ao longo da orla, o maior número já utilizado no Rio, com 12 minutos ininterruptos de pirotecnia — e com as condições atmosféricas características do verão carioca, com ventos que chegam do mar sem aviso.
Um marco na América Latina
Shows de drones são uma tecnologia que vem crescendo exponencialmente no mundo nos últimos anos. A Intel foi uma das pioneiras nesse formato, com exibições que se tornaram referência global. O recorde de drones simultâneos foi quebrado diversas vezes desde 2016.
No contexto olímpico, os Jogos de Inverno de PyeongChang em 2018 marcaram um ponto de inflexão: 1.218 drones formaram os aros olímpicos e uma figura de snowboarder no céu durante a cerimônia de abertura. Foi transmitido para o mundo inteiro e popularizou definitivamente o formato. Coincidência ou não, o número de Copacabana — 1.200 drones — é praticamente o mesmo.
Na América Latina, porém, eventos desse porte ainda eram raros. O que aconteceu em Copacabana na virada para 2026 coloca o Brasil num mapa que até então era dominado por países asiáticos e europeus nesses espetáculos. E para quem acompanha o setor de drones no país, é mais um sinal de que as coisas estão se movendo — e rápido.
A tecnologia que tornou isso possível
O que permite que shows de drones na escala de 1.200 unidades sejam viáveis hoje — e que continuem crescendo em complexidade — é uma combinação de fatores que convergiram nos últimos anos.
Primeiro: o barateamento dos drones de pequeno porte. Unidades específicas para shows custam uma fração do que custavam cinco anos atrás. Elas são projetadas para esse uso — autonomia moderada, luzes LED programáveis, GPS de alta precisão — e não precisam de câmera, gimbal ou todos os recursos de um drone de fotografia profissional.
Segundo: o avanço do software de orquestração. Os algoritmos que calculam trajetórias para centenas de objetos simultâneos, evitando colisões, compensando vento e gerenciando consumo de bateria, ficaram significativamente mais sofisticados nos últimos anos.
Terceiro: a regulamentação foi se adaptando. No Brasil, a ANAC e o DECEA precisaram criar protocolos específicos para shows de drones, que envolvem espaço aéreo controlado, coordenação prévia e aprovação detalhada das rotas e altitudes utilizadas. O fato de que uma operação desse tamanho aconteceu sem incidentes em Copacabana é também um reconhecimento de que esse processo está funcionando.
Mais do que entretenimento
É tentador tratar o espetáculo de Copacabana apenas como entretenimento — e seria um equívoco. O que 1.200 drones fizeram no céu do Rio na virada do ano é também uma demonstração de maturidade tecnológica e logística no uso de aeronaves não tripuladas no Brasil.
Coordenar uma operação desse porte, no espaço aéreo de uma das praias mais movimentadas do mundo, com milhões de pessoas abaixo, sem nenhum incidente reportado, é um feito que não deve passar despercebido. Exige planejamento com meses de antecedência, aprovações de múltiplos órgãos regulatórios, equipes técnicas treinadas e redundâncias de segurança em cada etapa do processo.
Cada vez mais, os drones saem da margem — dos artigos técnicos, dos debates regulatórios, das pistas de FPV no fim de semana — e chegam ao centro da experiência coletiva das pessoas. Uma festa de 5 milhões de pessoas, lembrada por imagens feitas por máquinas que voam.
As imagens aéreas nos concede um novo modo de enxergar as coisas. E talvez seja isso que estejamos precisando — ver o mundo de cima, para entender melhor o que está acontecendo embaixo.
Fontes: Prefeitura do Rio de Janeiro | Diário do Rio de Janeiro | Agência Brasil
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