Tipos de drones: guia completo para entender cada categoria

Quadricóptero, asa fixa, FPV, agrícola, militar — conheça os principais tipos de drones, suas diferenças e para que cada um é usado.

Lucas Buzzo 11 min de leitura
Tipos de drones: guia completo para entender cada categoria

A palavra "drone" virou genérica — e isso cria confusão. Quando alguém fala em drone, pode estar se referindo ao quadricóptero que o vizinho usa para fotografar o casamento, ao avião não tripulado que cruza 500 quilômetros de linha de transmissão, ao aparelho que pulveriza 20 hectares de soja por hora ou ao veículo que desafia pilotos em pistas de corrida a 200 km/h. São os tipos de drones mais distintos que existem, com físicas, componentes e finalidades radicalmente diferentes — e tratá-los como a mesma coisa é o primeiro erro de quem está começando a entender o setor.

Este guia percorre cada categoria com dados concretos, explica por que cada design existe e ajuda você a identificar qual tipo faz sentido para o que você precisa.

Multirotores: a categoria que popularizou os drones

Os multirotores são os tipos de drones que dominam o mercado de consumo e a maioria das aplicações comerciais. O princípio é simples: múltiplos rotores posicionados simetricamente criam sustentação suficiente para levantar o aparelho e, ao variar a velocidade individual de cada motor, permitem movimento em qualquer direção. A controladora de voo faz esse cálculo centenas de vezes por segundo, tornando o resultado estável mesmo para quem nunca pilotou.

Conforme a história dos drones mostra, os multirotores explodiram em popularidade a partir de 2010, quando a eletrônica embarcada ficou boa e barata o suficiente para tornar a estabilização automática acessível. Antes disso, voar um helicóptero de controle remoto exigia anos de prática.

Quadricóptero

Quatro hélices, quatro motores — dois girando no sentido horário e dois no anti-horário para cancelar o torque gerado pela rotação. O quadricóptero é o design mais eficiente em termos de custo e simplicidade mecânica: menos componentes significam menos pontos de falha e menor preço de fabricação.

É o formato escolhido pela DJI para a maioria dos seus produtos de consumo e prosumer — do Mavic 3 Pro ao Mini 4 Pro. O resultado é ideal para fotografia aérea, filmagem, inspeção de curta distância e uso recreativo. A desvantagem é a ausência de redundância: perde um motor, perde o drone.

Hexacóptero e Octacóptero

Seis ou oito hélices resolvem o problema da redundância. Um hexacóptero pode perder um motor e ainda pousar com controle, o que é decisivo em aplicações onde uma queda representa risco à segurança ou perda de equipamento caro. Octacópteros vão além: mais rotores significam mais potência de sustentação e capacidade de carga útil, chegando a carregar câmeras cinema de vários quilogramas.

O preço a pagar é peso, complexidade e custo. Hexacópteros e octacópteros dominam a cinematografia profissional de alto orçamento e operações industriais onde confiabilidade não é opcional.

Asa fixa: eficiência acima de tudo

Um drone de asa fixa não tem rotores verticais — ele usa asas para gerar sustentação, exatamente como um avião convencional. O resultado é radicalmente mais eficiente em energia: enquanto um quadricóptero usa toda a potência dos motores apenas para ficar no ar, uma asa fixa converte esse esforço em deslocamento horizontal. A razão é física básica — a sustentação aerodinâmica é muito mais eficiente que a sustentação por empuxo direto.

Na prática, isso significa autonomias que podem ultrapassar duas horas de voo e alcances de centenas de quilômetros, ante os 30-45 minutos típicos dos multirotores de consumo. Segundo a FAA, as asas fixas dominam aplicações como mapeamento de grandes áreas, inspeção de gasodutos e linhas de transmissão, vigilância de fronteiras e missões militares de longa duração.

A limitação fundamental é que uma asa fixa não pode pairar. Ela precisa de velocidade mínima para manter sustentação, precisa de espaço para decolar e pousar (geralmente em catapulta ou pista), e não consegue fotografar um ponto fixo com a mesma facilidade que um multirotor. Para cobrir longas distâncias linearmente, porém, não há concorrente.

VTOL híbrido: o melhor dos dois mundos

O VTOL (Vertical Take-Off and Landing) híbrido é a resposta da engenharia para o dilema entre a eficiência da asa fixa e a versatilidade do multirotor. O aparelho decola e pousa verticalmente como um quadricóptero, usando rotores dedicados, depois faz a transição para voo horizontal em asa fixa, desligando (ou inclinando) os rotores de sustentação. O resultado é autonomia comparável à asa fixa com a flexibilidade de pousar em qualquer superfície plana.

O preço desta solução é real: sistemas VTOL são mecanicamente mais complexos, mais pesados e mais caros do que qualquer uma das categorias isoladas. A eletrônica que gerencia a transição entre modos também precisa ser robusta. Ainda assim, o segmento cresce rapidamente em mapeamento profissional e inspeção industrial, onde o custo se justifica pela versatilidade operacional.

FPV: quando a velocidade é o ponto

Os drones FPV (First Person View) representam uma categoria à parte — tecnicamente são multirotores, mas a filosofia de design é completamente diferente. Enquanto um DJI Mavic foi concebido para ser estável e fácil, um drone FPV foi construído para ser rápido e ágil, delegando a estabilidade ao reflexo do piloto.

O piloto usa óculos que transmitem ao vivo a imagem da câmera frontal do drone, criando a sensação de estar dentro do aparelho. Os frames mais usados para racing têm entre 3 e 5 polegadas de hélice, pesam entre 200 e 350 gramas e atingem mais de 200 km/h em linha reta — em segundos. Para entender melhor a modalidade, o artigo o que é FPV detalha o hardware, os óculos e como começar.

O segmento se divide entre racing (velocidade máxima em pistas fechadas), freestyle (manobras acrobáticas) e cinematic FPV (gravações de vídeo com câmera de ação em movimentos impossíveis para drones convencionais). É a categoria com a curva de aprendizado mais íngreme — e a mais viciante para quem passa por ela.

Drones agrícolas: a fronteira que o agronegócio cruzou

Entre todos os tipos de drones, os agrícolas representam o caso de uso com maior impacto econômico no Brasil. São multirotores — geralmente quadricópteros ou hexacópteros — projetados especificamente para carregar e aplicar insumos com precisão milimétrica sobre lavouras.

O DJI Agras T50, por exemplo, carrega até 50 litros de produto em um único voo e cobre até 40 hectares por hora com bicos de pulverização centrifugal. O XAG P150 compete no mesmo segmento com propostas similares. Além da pulverização, sensores multiespectrais acoplados a esses aparelhos mapeiam o estado fitossanitário das plantações, identificando estresse hídrico, praças e deficiências nutricionais com precisão que nenhuma inspeção visual oferece.

Segundo a Embrapa, o Brasil deve ter mais de 90.000 drones agrícolas em operação até 2026, reflexo da escala do agronegócio brasileiro e da regulação favorável da ANAC para operações remotas em áreas rurais. O artigo sobre drones no agronegócio cobre os números, as regulamentações e os modelos disponíveis no mercado nacional em detalhe.

Drones militares: do reconhecimento ao ataque

O uso militar foi o primeiro e é o mais diverso entre os tipos de drones. A classificação vai do micro drone de inteligência que cabe em uma mochila ao veículo estratégico que permanece no ar por mais de 30 horas.

Os drones de reconhecimento, como o HERON israelense e o RQ-4 Global Hawk americano, voam em altitude elevada por longas durações coletando imagens e inteligência de sinais. Os drones de ataque, como o MQ-9 Reaper e o Bayraktar TB2 turco — que ganhou notoriedade na guerra de 2020 no Nagorno-Karabakh — combinam vigilância persistente com capacidade de engajamento de alvos a distância segura do operador.

A guerra na Ucrânia introduziu ao vocabulário militar os drones FPV kamikaze: pequenos, baratos (muitas vezes custando menos de US$ 500 cada), guiados por um piloto com óculos até o alvo. São produzidos em escala industrial e usados em número que tornaria impraticável o uso de munições convencionais. O conflito transformou a percepção de drones militares: de arma sofisticada de alto custo para ferramenta tática acessível e decisiva.

Micro e nano drones: pequenos demais para ignorar

O corte regulatório mais importante no mercado de drones de consumo é o de 250 gramas. Na maioria das regulações internacionais, drones abaixo desse peso têm restrições significativamente menores. A ANAC brasileira usa a classificação por peso que define a Classe 3 como drones de até 25 kg — mas o limiar de 250g é o que define, na prática, o que pode voar em parques e áreas urbanas com menor burocracia.

O DJI Mini 4 Pro, com seus 249 gramas precisos, é o exemplo mais bem-acabado dessa categoria: câmera com sensor de 1/1.3 polegada, vídeo 4K, transmissão de até 20 km e dobra para caber em qualquer mochila. Os nano drones vão além — menos de 100 gramas, alguns pesando dezenas de gramas, usados principalmente para recreação indoor ou pesquisa em robótica de enxame.

Como escolher o tipo certo

A pergunta correta não é "qual o melhor tipo de drone?" — é "qual o melhor para o que eu preciso fazer?". O guia para comprar um drone cobre os critérios de seleção em detalhe, mas a lógica básica é:

Para fotografia e filmagem casuais: quadricóptero compacto abaixo de 250g, como o DJI Mini 4 Pro ou o Insta360 Ace. Fácil de transportar, regulação mais simples, qualidade de imagem suficiente para redes sociais e uso pessoal.

Para fotografia e filmagem profissional: quadricóptero prosumer como o DJI Mavic 3 Pro ou o Air 3S, com sensores maiores, múltiplas câmeras e sistemas de detecção de obstáculos robustos.

Para cinematografia de alto orçamento: hexacóptero ou octacóptero com estabilizador de câmera dedicado, capaz de carregar câmeras de cinema.

Para mapeamento de grandes áreas: asa fixa ou VTOL híbrido, dependendo da necessidade de decolar sem pista.

Para agricultura: drone agrícola específico para a finalidade, dimensionado para a área da fazenda e o tipo de aplicação.

Para velocidade e acrobacia: drone FPV, com consciência de que a curva de aprendizado é longa.

A classificação da ANAC por peso — Classe 3 (até 25 kg), Classe 2 (25-150 kg) e Classe 1 (acima de 150 kg) — determina as exigências de habilitação e registro, e deve ser considerada antes da compra em qualquer uso profissional.

Perguntas frequentes


Fontes: DJI — Categorias de produto | FAA — Unmanned Aircraft Systems | Embrapa — Drones na Agricultura

Artigos relacionados