Marinha ativa esquadrão de drones táticos dos Fuzileiros Navais
Fuzileiros Navais ativam o primeiro esquadrão de drones táticos do Brasil e inauguram escola de operadores no Rio. Entenda o que muda.

O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil ativou, na terça-feira (4 de março), o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque — o primeiro do tipo nas Forças Armadas brasileiras. A apresentação aconteceu no Rio de Janeiro e incluiu o anúncio da inauguração, ainda em março, de uma escola dedicada à formação de operadores de drones militares.
Segundo o comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, almirante Carlos Chagas, a criação do esquadrão responde à necessidade de acompanhar a evolução tecnológica dos conflitos modernos, onde drones se tornaram peças centrais no campo de batalha.
O que é o Esquadrão de Drones Táticos
O novo esquadrão opera dois tipos principais de aeronaves não tripuladas:
- Quadricópteros táticos — equipados com sensores eletro-ópticos, infravermelhos e termais. Podem monitorar alvos a distância e carregar projéteis para atacar pequenos alvos com precisão. Também servem para localizar vítimas em cenários de desastres naturais.
- Drones de asa fixa ("kamikaze") — aeronaves lançáveis que carregam explosivos para destruir alvos maiores. Esse tipo de drone, popularizado nos conflitos recentes na Ucrânia e no Oriente Médio, é projetado para impacto único: voa até o alvo e o neutraliza.
A diferença entre esses dois modelos reflete a variedade de tipos de drones usados hoje em operações militares — desde plataformas de reconhecimento até sistemas de ataque direto.
Escola de Drones: formação de operadores
Junto com o esquadrão, a Marinha anunciou a inauguração da Escola de Drones do Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), no Rio de Janeiro. A escola começa a operar ainda em março de 2026.
O foco inicial será em plataformas classificadas como categorias 0 e 1, que não exigem licença de piloto profissional. O objetivo é formar militares capazes de operar drones em missões de reconhecimento, vigilância, apoio logístico e resposta a desastres.
A criação da escola é um desdobramento dos exercícios operacionais realizados pelo CFN nos últimos meses, que funcionaram como campo de experimentação de táticas e técnicas com diferentes modelos de aeronaves remotamente pilotadas. As lições aprendidas nesses exercícios vão compor o material didático e os protocolos da nova escola.
Mísseis nacionais e blindados completam a modernização
A apresentação dos Fuzileiros Navais não se limitou aos drones. A Marinha também exibiu dois sistemas de mísseis de fabricação nacional:
| Sistema | Tipo | Alcance | Destaque |
|---|---|---|---|
| Mansup | Antinavio de superfície | 70 km | Voo rasante para evitar detecção por radar, velocidade de até 1.000 km/h |
| Míssil guiado a laser | Precisão tática | 3 km | Penetra até 80 cm de blindagem, eficaz contra navios e helicópteros |
Além disso, foram apresentados veículos blindados de desembarque litorâneo de fabricação brasileira, com velocidade de 74 km/h e capacidade para 13 militares, equipados com metralhadoras, radares e câmeras termais.
Por que drones são prioridade agora
Os conflitos recentes — da guerra na Ucrânia aos embates no Oriente Médio — demonstraram que drones táticos de baixo custo podem alterar o equilíbrio de poder em um campo de batalha. Quadricópteros com granadas improvisadas e drones kamikaze derrubaram blindados, destruíram posições fortificadas e realizaram reconhecimento em tempo real.
O Brasil, com 7.500 km de litoral, 97% das exportações circulando por via marítima e 95% da produção de petróleo vinda da costa, tem razões estratégicas claras para investir nessa tecnologia. O almirante Carlos Chagas destacou a importância de proteger a infraestrutura marítima, incluindo os cabos submarinos essenciais para as comunicações do país.
A questão dos drones militares e o direito internacional humanitário segue como pano de fundo dessas decisões: o uso crescente dessas tecnologias levanta debates éticos e jurídicos que o Brasil precisará enfrentar à medida que expande suas capacidades.
O que muda para o piloto brasileiro
A ativação do esquadrão e a inauguração da escola de drones não afetam diretamente o piloto civil de drones, mas têm implicações indiretas relevantes:
- Mais áreas restritas: operações militares com drones podem gerar novas zonas de exclusão temporárias, especialmente em áreas litorâneas e próximas a instalações navais. Pilotos civis devem consultar o SARPAS e os NOTAMs antes de voar nessas regiões.
- Profissionalização do setor: a escola de drones da Marinha reforça a tendência de formalização da operação de drones no Brasil. Isso pode influenciar futuras exigências de capacitação para pilotos civis profissionais.
- Indústria nacional: o investimento militar em drones pode estimular a cadeia produtiva brasileira, criando oportunidades para empresas nacionais e, potencialmente, reduzindo custos de equipamentos no mercado civil.
Para quem opera drones comercialmente, a expansão do uso militar é um sinal de que a regulamentação tende a ficar mais detalhada. Vale ficar atento às atualizações da ANAC e do DECEA sobre novas restrições de espaço aéreo.
Fontes: Agência Brasil | Agência Marinha de Notícias | News Rondônia
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