
Hermeus
Quarterhorse Mk 2.1
Quarterhorse Mk 2.1 voou em março de 2026 com motor P&W F100. Mach 3.3 no horizonte — saiba como funciona a aeronave não tripulada mais rápida em desenvolvimento.
Preço médio no Brasil
—
Disponibilidade
Não disponível oficialmente
Especificações técnicas
- Velocidade máxima
- Mach 2.5+ (objetivo Mk 2.1); Mach 3.3 (Mk 3 planejado)
- GNSS
- Sistema de navegação autônoma — especificações classificadas
- Carga útil
- Não divulgado (aeronave de demonstração)
- Envergadura
- Delta wing — não divulgado
- Dimensões (dobrado)
- Escala do F-16 (~15 m de comprimento estimado)
A Hermeus realizou em 2 de março de 2026 o primeiro voo do Quarterhorse Mk 2.1 no Spaceport America, Novo México — o mais avançado protótipo de aeronave não tripulada hipersônica já construído por uma empresa privada. Com motor Pratt & Whitney F100 modificado e um precooler proprietário, o Mk 2.1 é o passo mais concreto em direção ao objetivo declarado da startup: quebrar o recorde de velocidade do SR-71 Blackbird, que permanece inalterado desde 1976.
Motor e tecnologia de propulsão
O Quarterhorse Mk 2.1 é propulsionado por um motor Pratt & Whitney F100 — o mesmo utilizado no F-16 e no F-15 da Força Aérea dos EUA. O diferencial está no precooler proprietário instalado na entrada de ar: um sistema de resfriamento que reduz a temperatura do ar antes da compressão, permitindo que o motor opere com eficiência em velocidades onde o aquecimento aerodinâmico normalmente destruiria componentes convencionais.
Para as versões seguintes (Mk 2.2 e Mk 3), a Hermeus planeja substituir o F100 pelo Chimera II, um motor de ciclo combinado turbofan-scramjet desenvolvido internamente. Esse motor seria capaz de operar em dois regimes: subsônico (como turbofan convencional) e hipersônico (como scramjet, sem partes móveis), tornando o Quarterhorse autossuficiente em toda a envelope de voo sem necessidade de impulsores separados.
Configuração aerodinâmica e estrutura
O Quarterhorse Mk 2.1 adota uma asa delta de baixo perfil, configuração consagrada em aeronaves supersônicas desde o Concorde e o SR-71. A entrada de ar variável (variable inlet) ajusta a geometria do duto conforme a velocidade, otimizando a recuperação de pressão em diferentes regimes de voo.
O airframe é construído em materiais de alta resistência térmica — necessários para suportar temperaturas de fuselagem que superam 300°C a Mach 3. A Hermeus não divulga o peso exato nem as dimensões precisas, mas o Mk 2.1 é descrito como tendo "escala de F-16": comprimento estimado entre 14 e 16 metros, com massa "quatro vezes maior que o Mk 1".
Programa de desenvolvimento: do Mk 0 ao Mk 3
O Quarterhorse segue uma estratégia de prototipagem iterativa rápida, incomum em projetos de defesa:
| Versão | Status | Marco | Local |
|---|---|---|---|
| Mk 0 | Concluído | Testes estáticos — validação de subsistemas em solo | Atlanta, GA |
| Mk 1 | Concluído | Primeiro voo — decolagem e pouso a alta velocidade (maio 2025) | Edwards AFB, CA |
| Mk 2.1 | Em teste | Primeiro voo subsônico — validação do sistema não tripulado (março 2026) | Spaceport America, NM |
| Mk 2.2 | Planejado | Voo supersônico — romper a barreira do som | White Sands, NM |
| Mk 3 | Planejado | Motor Chimera II — alvo Mach 3.3+ e recorde SR-71 | — |
O objetivo final declarado é alcançar Mach 5 com alcance de 7.400 km — capacidade que posicionaria o Quarterhorse como a aeronave de resposta rápida não tripulada mais veloz e de maior alcance do mundo.
Contexto estratégico e financiamento
Em 7 de abril de 2026, a Hermeus anunciou a conclusão de uma Série C de US$ 350 milhões, elevando a avaliação da empresa a US$ 1 bilhão (unicórnio). A rodada foi liderada pela Khosla Ventures, com participação de Founders Fund, RTX Ventures (subsidiária da Raytheon) e Georgia Tech Foundation. Os US$ 150 milhões restantes vieram em forma de dívida estruturada via Silicon Valley Bank.
A startup, fundada em 2018 em Atlanta e com sede recentemente transferida para El Segundo, Califórnia, aposta na lacuna estratégica aberta pelo cancelamento do SR-72 da Lockheed Martin e pela ausência de sucessores supersônicos não tripulados na frota americana. Com o In-Q-Tel (braço de venture capital da CIA) entre seus investidores históricos, a Hermeus opera na fronteira entre startup de tecnologia e contratante de defesa.
O que diz respeito ao Brasil
O Brasil não opera nem planeja adquirir o Quarterhorse — trata-se de um sistema exclusivamente americano, em fase de protótipo e sem previsão de exportação. Mas o programa tem relevância estratégica para o contexto brasileiro em dois aspectos.
Primeiro, o investimento americano em aeronaves não tripuladas hipersônicas acelerou a corrida global por capacidades similares. O Brasil, que vem expandindo seu uso de drones militares com o Projeto Estratégico Harpia e o VANT Heron 1 alugado da Israel Aerospace, acompanha de perto esse desenvolvimento.
Segundo, a tecnologia do precooler desenvolvida pela Hermeus — se escalar para motores civis — tem potencial de impacto na aviação comercial de alta velocidade, tema que interessa a rotas do Atlântico Sul com grande participação de passageiros brasileiros.
Para quem é este modelo
O Quarterhorse Mk 2.1 não é um produto comercial nem um sistema operacional: é um protótipo de demonstração tecnológica financiado majoritariamente por capital privado americano para fins de defesa. Não está disponível para compra, não há versão civil e não existe certificação civil aplicável.
O interesse para leitores do ODrones é inteiramente técnico e estratégico: entender onde está a fronteira da tecnologia de aeronaves não tripuladas e o que o avanço hipersônico representa para o futuro dos drones militares e civis de alta performance.
Perguntas frequentes
Fontes: Hermeus — Série C | TechCrunch — Hermeus raises $350M | New Atlas — Quarterhorse Mk 2.1 | Hermeus — Quarterhorse