Tabela de Conteúdos

  1. Mulheres e Drones: os números
  2. Ainda há privilégios?
  3. Mulheres: apenas um dia para lembrar?
  4. Entrevista com a Luane Gomes

Apesar das diversas conquistas por partes das mulheres no decorrer da história, ainda há uma certa diferenciação, mesmo que muitos não reconheçam.

Fica evidente quando tomamos como exemplo certos hobbies que são vistos como os homens possuindo maior afinidade, e o ramo dos drones é um deles.

Phantom 3 unboxingPhantom 3 unboxing

Mulheres e Drones: os números

Há algumas semanas estava analisando as estatísticas de curtidas da página do ODrones no Facebook, e percebi que menos de 15% do público é do sexo feminino. Rapidamente procurei a minha amiga, que é uma pessoa influente na área, Luane Gomes, fundadora do grupo Drones Brazukas (que teve um crescimento notável em pouco tempo), para uma entrevista sobre o tema.

Mesmo com um espaço amostral relativamente pequeno é possível notar uma certa tendência atual de um menor número de mulheres controlando os veículos aéreos não tripulados.

Apesar de acreditar que seja uma questão de tempo para ocorrer uma maior integração entre mulheres e drones, vale deixar um incentivo, mostrando que há mulheres com o controle dos drones na mão e elas estão se destacando, como é o caso da Luh.

Luane Gomes e droneLuane Gomes e drone

Ainda há privilégios?

Embora muitos pensem que estes preconceitos, privilegiação de uma raça, gênero, crença; segregações; guerras; abusos políticos e autoritarismo; crises políticas, chegando ao ponto de gerar guerras civis, estão, historicamente distantes, temos diversos exemplos no século passado.

Gostamos de sentir que estamos a frente de tudo isso, que, como os economistas diriam, com tudo mais constante atingimos um ponto de equilíbrio, mas, no fundo sabemos que não é verdade.

Temos, no século XXI diversos exemplos dos problemas citados neste parágrafo, mas optamos por ignorar: pois são problemas que estão ocorrendo fora do meu país, distante das minhas fronteiras, quando na realidade fechamos os olhos ao ver alguém na rua pedindo esmola, do nosso lado; pensamos que estão distantes e não podemos ajudar em nada, quando na verdade fingimos não escutar as discussões de casais, que muitas vezes acabam em agressão física e/ou psicológica; dizemos que somos impotentes, quando na verdade vemos pessoas praticarem justiça com as próprias mãos, onde elas nem estão certas de que a vítima da agressão delas fez algo errado, mas por ser afrodescendente é culpado, e apenas praticamos o Laissez-faire, um dos princípios do liberalismo econômico que diz que devemos apenas deixar o mercado funcionar sem influência da mão invisível, como diria o Adam Smith. A verdade é que nos colocamos acima dos demais, não olhamos o outro, e isto apenas muda “desde que haja lucro” – como diria a banda O Teatro Mágico.

E nesta reflexão sobre como ainda há esta diferenciação entre homens e mulheres ao redor do mundo, e como sou um adorador da cultura nacional, sentir-me-ia negligente se não citasse e divulgasse, para ajudar no mergulho sobre esta discussão, a música Primavera Árabe do Wado, em que é dito em um trecho “arranco a dor que beija a boca. Espero as pedras, hematomas.”, e escutando-a imagine uma mulher arrancando a burca e beijando aquele que ama no meio da rua e sofrendo as “consequências”

Mulheres: apenas um dia para lembrar?

Talvez algumas pessoas se questionem ao ler o texto, e pensem que ele está fora de data, pois hoje não é 8 de março, data que representa o Dia das Mulheres, para recordarmos e pensarmos sobre a desigualdade entre gêneros, além de fazer lembrarmos do ocorrido em 1857, onde 129 mulheres foram queimadas em uma fábrica por lutarem pela redução da jornada de trabalho e pelo direito à licença maternidade.

Mas este texto tem um tom reflexivo, e intencional de lembrarmos fora de data. Afinal de contas, como os seres racionais que somos, ou ao menos deveríamos ser, precisamos de uma data para recordarmos que existem mulheres e o quão maravilhosas elas são no que fazem, inclusive em tornar os nossos dias, referindo-me aos homens, melhores?

Mulheres e dronesMulheres e drones

Entrevista com a Luane Gomes

  • Fale um pouco sobre você
    Meu nome é Luane Gomes, tenho 24 anos e sou independente financeiramente desde os 18 anos, quando sai da casa dos meus pais para morar sozinha em busca de realização pessoal e profissional. Sempre fui do tipo multitarefa, daquela que gosta de coisas diferentes e faz várias coisas ao mesmo tempo. Já tive desde estabelecimentos comerciais como também já joguei futebol profissionalmente, trabalhei para uma agência de viagens e nas horas extras ganhava dinheiro em jogos de pôquer na internet.

  • Como, quando e por que surgiu o seu interesse pelo mundo dos drones?
    Moro em Angra dos Reis e meus finais de semana sempre foram na praia, onde conheci alguns praticantes do hobby de aeromodelismo. Pesquisando sobre esse hobby, conheci os drones e desde então sabia que era o que eu queria para voar, por serem os mais modernos e inovadores naquele momento.

  • Você acha que a regulamentação dos drones atrapalhará o mercado? E as suas vendas?
    Acredito que não, muito pelo contrário, incentivará aqueles que tem medo de adquirir um produto que ainda não tem suas funcionalidades regulamentadas. Além do mais, o cliente merece o melhor e com essa regulamentação que está sendo muito bem direcionada pela ABM (associação brasileira de multirrotores), os bons e sérios vendedores saberão acompanhar as exigências e normas a fim de continuar oferecendo um serviço de qualidade e com preço justo.

  • Quando a abordei, propondo esta entrevista, mencionei o fato que menos de 15% do público da minha página, no Facebook, é do sexo feminino. Por quais motivos você acha que este número é tão baixo, se comparado aos 85% do sexo masculino?
    Acredito que existem hobbies, com as quais os homens tenham mais afinidade do que as mulheres. Assim como nos meios eletrônicos e mecânicos, o maior público de utilizadores de tecnologias deste tipo é do sexo masculino. Talvez quando enxergarem mais o drone como uma ferramenta profissional em vez de somente um hobby, as mulheres se interessem mais por este mercado.

  • Você sente, que mesmo nós estando no século XXI, ainda há preconceito sexista no ramo de aviação, empreendedorismo e tecnologia?
    Por mais que os números contrários levem a essa conclusão, eu acredito que a fama, de que é algo destinado aos homens, é maior do que a prática, pois de todos os lados eu só recebo apoio e elogios por parte do público masculino. Além disso, mais do que elogiar e apoiar, muitos me procuram para tirar dúvidas e pedir opiniões. A inserção do público feminino é questão de tempo.

  • Certa vez eu vi no seu grupo no Facebook, Drone Brazukas, um “troll da internet” que havia feito uma montagem com a sua foto com a legenda “não existe mulher feia, existem mulheres que não conhecem os produtos da Jequiti”, uma brincadeira de mau gosto e errada, porque você é, realmente, muito bonita. Essas atitudes ocorrem com frequência? Como você acha que as pessoas que estavam vendo poderiam intervir?

    Em uma sociedade em que muitas vezes os valores pessoais e a educação que vem de casa são deixados pra trás por causa do dinheiro, cada um luta com as armas que tem. Graças a Deus tenho humildade para reconhecer que estamos continuamente em melhora e em evolução. Não me sinto levada a usar desse tipo de artifício para manchar a imagem de nenhum concorrente ou tentar ganhar respeito com a decadência do próximo. Graças a Deus também, esse tipo de caso é um em um milhão pois sou cercada de amigos e clientes que me defendem e estão prontos para me apoiarem em situações como essa.

  • Para finalizar, o espaço é todo seu. Há alguma mensagem que você gostaria de deixar para os leitores, e às leitoras?
    Primeiro tenho que dizer que me sinto lisonjeada pelo convite à entrevista e também dizer que tenho comigo que o Sol nasceu para todos. Então você que está lendo e está neste ramo, seja como admirador, comprador, droneiro, vendedor, assistência, instrutor e regulamentador, cada um tem seu Sol e cada um no seu espaço contribui para o crescimento e aprimoramento desse meio. Agradeço a cada um que me acompanha, desde aqueles que me viram surgir, quanto aqueles que a cada dia desta caminhada são acrescentados no meu círculo de amigos.

    Espero vê-los no grupo do facebook Drone Brazukas, que hoje é muito mais que um simples local de venda, é um lugar para trocar dicas, experiências, contatos profissionais e o mais importante, fazer amigos.