Brasil vai exigir sistemas antidrone em aeroportos
Governo prepara norma para obrigar aeroportos estratégicos a instalar tecnologia antidrone após 35 incidentes em Guarulhos. Entenda o que muda para pilotos.

O governo federal prepara uma norma que tornará obrigatória a instalação de sistemas de detecção e neutralização de drones em aeroportos considerados estratégicos no Brasil. A iniciativa, conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos em conjunto com a ANAC e o DECEA, foi confirmada em 30 de março de 2026 e tem o Aeroporto Internacional de Guarulhos como ponto de partida — e como exemplo mais urgente do problema que motivou a medida.
Em 2025, Guarulhos registrou 35 interrupções de operações causadas por drones não autorizados. Nos dois primeiros meses de 2026, já foram mais dez. Em um único dia de fevereiro, 32 voos foram cancelados e mais de 8.500 passageiros ficaram prejudicados.
Por que a proibição de voar perto de aeroportos não é suficiente
A regulamentação brasileira já proíbe voos de drone a menos de 9 km do perímetro de aeródromos sem autorização prévia do DECEA. Pilotos que precisam operar nessas áreas devem submeter pedido via SARPAS, o sistema de solicitação de acesso ao espaço aéreo não segregado.
O problema, segundo o governo, é que a resposta às violações ainda é reativa: um drone já está sobrevoando a área de aproximação antes de qualquer ação ser tomada. A norma em elaboração quer transformar essa lógica, substituindo a resposta por monitoramento contínuo e capacidade de intervenção em tempo real.
Como funcionam os sistemas antidrone
Os sistemas que a norma pretende tornar obrigatórios operam em quatro etapas:
- Detecção — radares, câmeras e sensores de radiofrequência identificam aeronaves não autorizadas na área de proteção
- Identificação — o sistema classifica o objeto e determina se representa um risco real
- Avaliação de risco — trajetória, altitude e velocidade são analisadas para definir a gravidade
- Resposta — pode incluir bloqueio do sinal de controle (jamming), forçando o pouso do drone ou ativando o retorno automático ao ponto de origem
A ANAC realizou testes com diferentes fabricantes e fornecedores de sistemas antidrone durante seis meses, com apoio da Polícia Federal e da Força Aérea Brasileira. O relatório final concluiu pela viabilidade técnica da implantação em Guarulhos e apontou a necessidade de expansão para outros aeroportos com o mesmo perfil de risco.
O que ainda está sendo definido
A norma está em elaboração e alguns pontos críticos ainda não foram fechados. O principal é a questão do custeio: o governo avalia se a obrigação de instalar e operar os sistemas recairá sobre as concessionárias dos terminais ou se haverá alguma participação federal.
Também está em discussão qual será o perímetro de cobertura obrigatório, os padrões técnicos mínimos que os equipamentos devem atender e como os dados coletados pelos sistemas serão integrados ao controle de tráfego aéreo operado pelo DECEA.
A expectativa do Ministério de Portos e Aeroportos é publicar a norma ainda em 2026, com prazo de adaptação a ser definido caso a caso para cada aeroporto.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem voa dentro das regras, a mudança prática é uma: a chance de ser detectado em caso de voo irregular perto de aeroportos vai aumentar substancialmente. Hoje, a detecção depende de vigilância humana ou de denúncias. Com sensores permanentes e monitoramento contínuo, qualquer aeronave não autorizada entrando na área de proteção poderá ser identificada automaticamente.
Voos irregulares em áreas controladas já estão sujeitos a multas que podem chegar a R$ 50 mil e processos na Justiça. A norma não cria novas penalidades — ela cria a infraestrutura para aplicá-las com muito mais frequência.
Para quem opera de forma regular, o impacto deve ser neutro. A autorização via SARPAS continua sendo o caminho correto, e os sistemas antidrone são projetados para identificar e ignorar aeronaves com transponder ativo ou identificação eletrônica compatível com o espaço aéreo.
Perguntas frequentes
Fontes: Panrotas | Acessa.com | Nova Era News
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