XMobots apresenta drone de combate reutilizável na LAAD

A XMobots apresentou na LAAD 2026 o Nauru 100D UCAV, drone de combate que retorna à base após o ataque e pode ser rearmado, testado pelos Fuzileiros Navais.

Lucas Buzzo 4 min de leitura
XMobots apresenta drone de combate reutilizável na LAAD

A XMobots, startup brasileira de drones com participação minoritária da Embraer, apresentou na LAAD Security Milipol Brazil 2026 o conceito UCAV (Unmanned Combat Aerial Vehicle, ou aeronave de combate não tripulada) do Nauru 100D: um drone capaz de atacar alvos, retornar à base para reabastecimento e ser lançado novamente em novas missões. O evento aconteceu entre 14 e 16 de abril em São Paulo, na maior feira de segurança e defesa da América Latina.

Simultaneamente à feira, os Fuzileiros Navais testavam o mesmo Nauru 100D na Ilha da Marambaia (RJ) em missões diurnas e noturnas de vigilância, indicando que o sistema já está em avaliação operacional pelas Forças Armadas brasileiras.


Contexto: um drone nacional de combate

A XMobots, fundada em 2012 em São Carlos (SP), é uma das poucas empresas do mundo a desenvolver VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados) de múltiplas aplicações com tecnologia majoritariamente nacional. A Embraer detém participação minoritária na empresa desde 2022, reforçada em 2024, o que conecta a XMobots à cadeia de fornecimento do maior fabricante aeronáutico do hemisfério sul.

O cenário global de conflitos armados nos últimos anos elevou a demanda por drones militares de precisão — especialmente os que dispensam o caráter descartável dos modelos kamikaze, cujo custo por missão pode ser elevado. É nesse nicho que o conceito UCAV do Nauru 100D se posiciona.


O que é o Nauru 100D UCAV

O UCAV é uma variante do Nauru 100D voltada para missões de ataque de precisão. O sistema pode transportar cargas explosivas do tipo HE (High Explosive) e anticarro do tipo HEAT (High Explosive Anti-Tank), com correção de trajetória em tempo real durante a aproximação ao alvo.

A principal diferença em relação aos drones kamikaze é o que a XMobots denomina "atracagem": após cumprir a missão, o drone retorna à base, é rearmado e pode ser lançado novamente. Sistemas como os Shahed iranianos, amplamente usados no conflito na Ucrânia, são destruídos no impacto — um custo de operação significativamente mais alto por missão.

CaracterísticaDados
Peso base9 kg
AutonomiaAté 6 horas
PropulsãoeVTOL elétrico (decolagem e pouso vertical)
CargasHE e HEAT
Capacidade produtiva360 unidades/mês (mais de 4.000/ano)

Operação em enxame

Além do conceito UCAV individual, a empresa demonstrou o Swarm (enxame de drones): até 30 aeronaves — 3 de reconhecimento e 27 de ataque — operando de forma coordenada e lançadas a partir de um contêiner padrão de 20 pés. A solução elimina a necessidade de infraestrutura fixa de lançamento e é compatível com veículos táticos convencionais.

A capacidade de enxame representa um salto em relação ao uso individual de VANTs: segundo a LRCA Defense Consulting, a XMobots afirma ter já iniciado a fabricação de um lote-teste de 20 sistemas. Delegações de Argentina, Nigéria e Emirados Árabes visitaram o estande durante o evento, sinalizando interesse internacional.


Parcerias e testes operacionais

A XMobots conta com parceria com a fabricante europeia de mísseis MBDA para o desenvolvimento de variantes armadas com o míssil Enforcer no Nauru 100D. Há também um contrato de R$ 40 milhões firmado com a Marinha do Brasil e a Petrobras para monitoramento de instalações marítimas.

Os Fuzileiros Navais realizaram testes com o Nauru 100D na Ilha da Marambaia durante o mesmo período da LAAD, avaliando voos diurnos e noturnos em missões ISTAR (Intelligence, Surveillance, Target Acquisition and Reconnaissance). Os voos fizeram parte da integração ao Esquadrão de Drones Táticos dos Fuzileiros Navais, ativado no início de 2026.


O que muda para o piloto brasileiro

O Nauru 100D UCAV é um sistema exclusivamente militar — não há impacto direto sobre pilotos civis ou recreativos. O desenvolvimento de um drone de combate nacional com capacidade de produção industrial em escala, no entanto, sinaliza a maturidade do ecossistema brasileiro de tipos de drones, que abrange desde equipamentos de lazer até sistemas de defesa.

Para o setor mais amplo, a validação do Nauru 100D pelos Fuzileiros Navais é um marco relevante: um drone desenvolvido no Brasil sendo testado e potencialmente adquirido pelas próprias Forças Armadas nacionais, algo historicamente incomum num mercado de defesa que tende a importar tecnologia de Israel, Estados Unidos e Europa.

Perguntas frequentes


Fontes: LRCA Defense Consulting | XMobots | Assuntos Militares

Artigos relacionados