DJI revela 25 lançamentos bloqueados pela FCC em 2026
DJI revelou em processo judicial que 25 produtos de 2026 estão barrados nos EUA, com prejuízo de US$ 1,56 bilhão. Entenda o que muda para pilotos brasileiros.

A DJI revelou, pela primeira vez com números detalhados, a escala do impacto financeiro do bloqueio imposto pela FCC (Federal Communications Commission) nos Estados Unidos. Em documento protocolado em 22 de abril de 2026 no Nono Circuito de Apelações, a empresa informou que 25 produtos previstos para lançamento em 2026 estão impedidos de entrar no mercado americano e que o prejuízo projetado para o ano chega a US$ 1,56 bilhão.
Além dos novos lançamentos, 14 produtos já comercializados tiveram suas autorizações da FCC anuladas — cinco drones e nove outros equipamentos, incluindo câmeras e acessórios. A DJI descreve a situação como "dano imediato e grave" e pede ao tribunal que intervenha de forma cautelar enquanto o processo principal segue em tramitação.
O que é a Covered List da FCC e por que a DJI está nela
A Covered List é uma relação mantida pela FCC com equipamentos de telecomunicações considerados risco à segurança nacional dos Estados Unidos. Produtos listados não podem receber novas autorizações para importação ou venda no país — o que, na prática, fecha o mercado americano para qualquer novo modelo da empresa.
A DJI foi incluída na lista em 2025, com base em alegações de que seus equipamentos poderiam ser usados para coleta de dados em favor do governo chinês. A fabricante nega as acusações e entrou com processo judicial contra a FCC no mesmo ano. O caso tramita no Nono Circuito de Apelações, um dos tribunais federais americanos de maior relevância.
Em abril de 2026, o Pentágono entrou no processo com manifestação contrária à DJI, afirmando existir inteligência classificada que justificaria a manutenção do bloqueio. O Departamento de Defesa americano não divulgou o conteúdo dessa inteligência, citando restrições de segurança.
Os números do processo: 14 autorizações revogadas e 25 produtos bloqueados
Até o documento de 22 de abril, o impacto financeiro do ban havia sido descrito apenas de forma geral pela DJI e por analistas do setor. O novo protocolo judicial quantifica os danos pela primeira vez.
A empresa dividiu as perdas em dois grupos:
- 14 produtos existentes com autorizações FCC revogadas: cinco drones e nove outros equipamentos (câmeras Osmo, estabilizadores e itens acessórios)
- 25 novos produtos planejados para 2026 que não podem ser lançados nos EUA
O total projetado para este ano é de US$ 1,56 bilhão em receita perdida exclusivamente no mercado americano. Para referência, a DJI detinha mais de 70% do mercado de drones para consumidores nos Estados Unidos antes do ban — um mercado avaliado em cerca de US$ 3 bilhões anuais.
A empresa argumenta que o prejuízo acumulado, combinado com a incerteza regulatória, configura condição suficiente para que o tribunal conceda uma medida liminar suspendendo o bloqueio enquanto o mérito do caso é julgado.
Quais produtos estão na lista dos 25 bloqueados
A DJI não divulgou a relação dos 25 lançamentos impedidos. Com base no histórico de novos modelos que a empresa normalmente apresenta por ano, analistas do setor estimam que o grupo inclui:
- Um substituto direto do DJI Mini 4 Pro (provavelmente o Mini 5 Pro)
- Uma nova geração da linha Mavic
- Uma atualização do DJI Neo, drone de entrada lançado em 2024
- Novos modelos Osmo (câmeras de ação e Osmo Pocket)
- Atualizações das linhas enterprise Matrice e Zenmuse
Dois lançamentos de 2026 já tornados públicos ilustram o padrão: o DJI Lito 1 e o DJI Lito X1, apresentados oficialmente em 23 de abril, chegaram a mais de 80 países — mas não aos Estados Unidos, onde o processo de autorização junto à FCC ainda está pendente por causa do bloqueio.
Para conhecer os modelos DJI disponíveis atualmente no mercado, consulte nosso guia completo de drones DJI, com comparativo por categoria e faixa de preço.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem pilota no Brasil, o impacto direto desta notícia é nenhum. O bloqueio da FCC é uma medida de abrangência exclusivamente americana: restringe a venda e a autorização de equipamentos DJI nos Estados Unidos, sem qualquer efeito sobre outros mercados.
Drones DJI continuam sendo vendidos normalmente no Brasil, com garantia local e suporte técnico pelos distribuidores autorizados. Os produtos já adquiridos seguem funcionando sem qualquer limitação de software ou hardware. Novos lançamentos chegam ao país pelos canais habituais — como aconteceu com os modelos Lito, disponíveis globalmente, exceto nos EUA.
Há, no entanto, um fator de atenção no médio prazo. Se a DJI perder definitivamente o recurso no Nono Circuito, o mercado americano permanece fechado. A perda de US$ 1,56 bilhão em um único ano pode pressionar a empresa a revisar seu ritmo de investimento em pesquisa e desenvolvimento. Numa perspectiva mais otimista, parte desse esforço comercial pode ser redirecionado para mercados em crescimento, como América Latina, Sudeste Asiático e África — o que potencialmente aceleraria a chegada de novos produtos ao Brasil.
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